Expresso, Portugal

 

 

 



Antes que a cegonha chegue

Author:Cláudia Silveira
Published: September 2007

 


Para casais em vias de ser papás, o novo conceito turístico chama-se babymoon

Babymoon. Até há um tempo, este não era mais que o termo usado pelos americanos para se referirem à última viagem que os pais faziam sozinhos antes da chegada do bebé. Mas já não é só isso. As agências de viagens e hotéis pegaram na ideia, trabalharam-na e recentemente o babymoon passou a conceito turístico.

O público-alvo são casais de classe média-alta, bem sucedidos profissionalmente, que, perante a chegada iminente de um filho, decidem que está na hora de aproveitar o tempo que lhes resta a sós.

O «babymoon» - trocadilho a partir da palavra «honeymoon» -, pretende ser também uma viagem inesquecível. Começou por ser explorado, como é habitual neste tipo de novidades, nos EUA, mas já se estendeu a outras partes do mundo. Recentemente chegou à Europa através do «site» www.baby-moon.eu, pela mão de uma holandesa. O portal lista uma série de unidades de luxo na Europa, Ásia, América do Norte, Caraíbas e Emiratos Árabes Unidos, que oferecem pacotes especiais dirigidos a casais à espera de filhos. Os programas «babymoon» são pequenas escapadas que incluem geralmente jantares românticos à luz de velas, massagem e sessões de relaxamento em spas e vários mimos destinados a agradar aos casais na sua última viagem sem filhos. O relatório de tendências globais de 2006 do World Travel Market (uma das mais importantes feiras de turismo do mundo que se realiza todos os anos em Londres), refere-se ao «babymoon» para ilustrar as formas como as empresas de turismo e de viagens estão a criar pacotes turísticos extremamente específicos, dirigidos a diferentes etapas da vida.

Mas uma despedida da vida a dois em estilo não fica barata. Por cerca de €650, o «babymoon package» do Renaissance Chancery Court, em Londres, inclui uma noite, pequeno-almoço na cama, um tratamento no SPA intitulado «Musical Energy Balance», uma caixinha com produtos de beleza, DVDs à disposição e ainda uma selecção de guloseimas a pensar nos ataques de fome nocturnos das grávidas. Outra das opções disponíveis é o Hotel Schloss Fuschl que funciona num castelo à beira do lago Fuschl nos arredores de Salzburgo, na Áustria. Disponibiliza um programa «babymoon» por um dia, onde por €325 a futura mamã pode-se deixar mimar: pedicure, manicure, tratamento facial e drenagem linfática às pernas. O programa prevê também passeios a pé à volta do lago.

Mais longe, no Westin Kierland Resort and Spa, em Scottsdale, Phoenix (Arizona), o casal é recebido no quarto com um gelado «sundae», segue-se uma massagem a dois, uma saídas para compras de roupa de bebé, um jantar no quarto e um filme para terminar a noite. Na manhã seguinte, há pequeno-almoço na cama, um pouco de golfe e pedicure. O preço do «Bundle of Joy babymoon package» ronda os €440 na primeira noite, mais €130 por cada noite extra.

Nos EUA são também bastante populares os cruzeiros «babymoon», onde são dadas palestras e aulas para o casal aprender a cuidar do bebé.

Por cá, as agências e operadores de viagens parecem ainda indiferentes a este nicho de mercado. Na lista do www.baby -moon.eu aparecem apenas duas unidades em Portugal, o Hotel Ritz Four Seasons em Lisboa, que tem um tratamento pré-natal no SPA, e o Choupana Hills Resort & Spa, na Madeira, que também oferece uma massagem específica para grávidas.

É sabido que com a chegada de um filho nada fica como dantes e aproveitar a gravidez para uma última viagem tranquila soará tentador. De acordo com os médicos, o segundo trimestre é o mais seguro para a grávida viajar, até porque algumas companhias aéreas colocam restrições a mulheres que viajem no último trimestre de gestação.

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